1) Essa tontura é labirintite? Por que tenho vertigem ou desequilíbrio?
"Labirintite" é um nome popular que agrupa várias condições diferentes — a maioria delas não é inflamação do labirinto. As causas mais frequentes de tontura são:
- VPPB (vertigem posicional paroxística benigna) — crises curtas ao virar a cabeça na cama; tratamento com manobras específicas costuma resolver.
- Enxaqueca vestibular — tontura associada a padrões de enxaqueca, com ou sem dor de cabeça.
- Doença de Ménière — vertigem prolongada com zumbido e sensação de ouvido cheio.
- Neurite vestibular — vertigem forte por dias, geralmente após quadro viral.
- Causas extra-labirínticas — pressão arterial, medicamentos, cervical, ansiedade e outras.
A investigação começa pelo tipo (giratória, flutuação, desequilíbrio), duração, gatilhos e sintomas associados. Podem ser indicadas VENG, audiometria e imitanciometria. Ver página completa.
2) Zumbido tem tratamento? O que pode causar e como investigar?
Zumbido é um sintoma, não uma doença. Costuma estar associado a alterações auditivas, exposição a ruído, uso de determinados medicamentos, fatores metabólicos (glicemia, tireoide, colesterol), disfunção da articulação temporomandibular, tensão cervical e estresse.
A investigação inclui exame clínico dirigido, audiometria tonal e vocal, imitanciometria e, quando indicado, exames complementares. Há condutas eficazes — controle das causas, terapias sonoras, reabilitação com aparelho auditivo quando indicada e abordagens comportamentais. O objetivo é reduzir o incômodo e recuperar qualidade de vida. Ver página completa.
3) Eu escuto, mas não entendo direito o que as pessoas falam. Estou perdendo a audição?
Sim, essa é a queixa clássica da perda auditiva neurossensorial em frequências agudas. Nesse padrão, o som está audível, mas as consoantes ficam "embaralhadas" — a pessoa "escuta" e não "entende". É comum na presbiacusia (envelhecimento) e em quem teve exposição a ruído (ocupacional, música alta, tiros).
A confirmação é feita pela audiometria tonal e vocal, complementada por imitanciometria. Quanto mais cedo se identifica, melhores são as opções de tratamento e reabilitação. Ver página de perda auditiva.
4) Meu ouvido dói, coça, tampa ou sai secreção — trato, melhora, mas depois volta. Por quê?
Sintomas recorrentes de ouvido raramente são "novas infecções isoladas". Costumam indicar:
- Otite externa recorrente — coceira, dor ao puxar o pavilhão, umidade retida no conduto.
- Otite média com efusão — sensação de ouvido tampado e audição abafada; comum em quem tem rinite/sinusite.
- Disfunção da tuba auditiva — a tuba não consegue igualar a pressão do ouvido médio.
- Dermatite/eczema do conduto auditivo — coceira crônica sem infecção franca.
O tratamento pontual alivia, mas não resolve a causa. A avaliação com videootoscopia, exame do nariz e exames audiológicos define a conduta definitiva. Ver infecções de ouvido.
5) Tenho muita dor de cabeça ou pressão no rosto. Será que é sinusite?
Dor de cabeça não é sinônimo de sinusite. A sinusite (rinossinusite) provoca dor/pressão facial associada a obstrução nasal, secreção purulenta — anterior ou pós-nasal — e às vezes febre. Costuma evoluir em dias a poucas semanas (aguda) ou persistir por mais de 12 semanas (crônica).
Cefaleias frequentes e persistentes que não vêm com esses sinais nasais raramente são sinusite. Geralmente são enxaquecas, cefaleia tensional ou dor referida — inclusive por problemas de mordida ou cervical. A videoendoscopia nasal e o exame clínico esclarecem. Ver sinusite.
6) Parece que estou sempre resfriado e meu nariz nunca destranca. Por que vivo com o nariz entupido?
Obstrução nasal persistente não é resfriado que não passa. As causas mais frequentes:
- Rinite alérgica — o nariz reage a ácaro, poeira, pólen ou pelo; espirros em sequência, coriza, coceira.
- Desvio de septo — obstrução frequentemente maior de um lado.
- Hipertrofia de cornetos — as estruturas laterais do nariz ficam volumosas e obstruem.
- Rinossinusite crônica — obstrução com pressão facial e secreção há mais de 12 semanas.
- Pólipos nasais — formações benignas da mucosa que reduzem o fluxo aéreo e o olfato.
A avaliação com videoendoscopia identifica o mecanismo e orienta o tratamento — clínico, com lavagem e medicação; cirúrgico, quando indicado. Ver respiração nasal.
7) Tusso sem parar. Já tomei vários remédios. Por que essa tosse não melhora?
A tosse crônica — mais de 8 semanas — costuma ter três causas principais, muitas vezes somadas:
- Síndrome do gotejamento pós-nasal — secreção do nariz e seios da face escorrendo pela garganta.
- Refluxo laringofaríngeo (LPR) — refluxo silencioso que irrita a laringe, sem necessariamente causar azia.
- Asma / hiperreatividade brônquica — pode se manifestar apenas como tosse, sem falta de ar.
Outros contribuintes: medicações (ex.: inibidores da ECA), tabagismo, exposição ambiental e infecções pós-virais prolongadas. A videoendoscopia laríngea, o exame do nariz e um histórico bem colhido definem o alvo. Ver página de tosse crônica.
8) Sinto uma bola, caroço ou algo enroscado na garganta. Pode ser algo grave ou câncer?
Essa sensação tem nome: globus faríngeo. Na maioria das vezes é benigna e está associada a refluxo laringofaríngeo, tensão da musculatura cervical/faríngea, gotejamento pós-nasal ou ansiedade.
Sinais de alerta que exigem avaliação sem demora:
- Rouquidão persistente por mais de 2–3 semanas.
- Dificuldade real para engolir ou dor ao engolir.
- Nódulo palpável no pescoço, emagrecimento sem causa, dor irradiada para o ouvido de um lado só.
A videoendoscopia laríngea é o exame de referência: visualiza a laringe, a base da língua e a hipofaringe, tranquiliza a maioria dos casos e permite ação rápida quando algo exige atenção. Ver página completa.
9) Meu filho respira pela boca, ronca e às vezes parece parar de respirar dormindo. Pode ser adenoide?
Sim — esse conjunto é altamente sugestivo de hipertrofia de adenoide e/ou amígdalas, com risco de apneia obstrutiva do sono infantil. Sinais adicionais: sono agitado, suor à noite, boca aberta ao dormir, dificuldade de ganho de peso ou queda no rendimento escolar.
O impacto vai além do sono: pode afetar o crescimento facial, o desenvolvimento do palato, a audição (por otite média com efusão associada) e o comportamento. A avaliação inclui exame clínico, videoendoscopia nasal e, quando indicada, polissonografia. A conduta pode ser clínica ou cirúrgica — adenoidectomia e/ou amigdalectomia. Ver otorrino infantil.
10) Meu filho parece escutar, mas não fala como deveria. Ele está ouvindo bem?
"Reagir a sons" não garante audição normal. Perdas auditivas leves ou seletivas — em frequências específicas — atrapalham o desenvolvimento da fala e da linguagem mesmo quando a criança parece escutar. Otite média com efusão (líquido atrás do tímpano) é uma causa comum e reversível.
Os exames variam por idade:
- Lactentes: emissões otoacústicas e BERA/PEATE.
- Pré-escolares: imitanciometria e audiometria condicionada infantil.
- Escolares: audiometria tonal e vocal e, quando pertinente, processamento auditivo (PAC).
A avaliação precoce faz diferença — para a fala, o desempenho escolar e a integração social. Ver otorrino infantil.
